Couraça e anéis de energia

          Estudos desenvolvidos por Wilhelm Reich demonstraram que os processos emocionais acontecem no corpo, mais especificamente nos músculos. Em decorrência desta observação, Reich fala que as nossas memórias emocionais estão ancoradas no corpo. Na sua observação, a energia das emoções percorre pelo corpo e necessita de válvulas de entrada e de saída. O fluxo da energia circula por todo o corpo em forma de ondas pulsáteis que vão de cima para baixo ventralmente e sobem pelas costas paralelamente à espinha dorsal. Se existe algum bloqueio, a estase, a energia não pode circular livremente. Os bloqueios ou estases ocorrem perpendicularmente à circulação da energia no corpo. Reich observou 7 anéis ou segmentos onde a energia pode ficar bloqueada no corpo são eles:

 

  • anel ocular – que compreende os olhos, testa, couro cabeludo, ouvidos e parte do nariz
  • anel oral – compreende a boca, maxilares e base da nuca
  • anel cervical – compreende o pescoço, ombros e músculos superiores
  • anel toráxico – compreende o tórax
  • anel diafragmático – compreende o diafragma
  • anel abdominal – compreende o abdomem e suas vísceras
  • anel pélvico – compreende a pelve, órgãos sexuais e músculos inferiores

 

A energia fica estrangulada nestes anéis proporcionando pouco movimento e/ou disfunções nestas regiões. É possível observar onde ocorre a estase no organismo pela tonicidade muscular dos segmentos. O tônus muscular é o reflexo do tônus celular.

A fluidez das membranas é uma das suas características mais importantes pois lhe confere flexibilidade para os movimentos celulares. Como foi descrito, as moléculas da membrana celular tem movimentos laterais que influenciam e são influenciadas pelos movimentos do citoesqueleto. O que permite movimentos flexíveis e pulsáteis, é a livre circulação energética que envia a energia do centro para a periferia celular. Se as condições do ambiente são desfavoráveis ocorre contração celular. A célula torna-se mais esférica para reter a energia no seu centro. Com a continuidade do stress pode-se instalar uma biopatia  a partir da diminuição da pulsação celular.

 

Para Reich a biopatia é toda a patologia que tem origem em uma disfunção, no sentido de contração, do SNA que altera toda a função biológica da pulsação plasmática do organismo. Todas as biopatias têm como pano de fundo o medo e tem em comum a resignação biológica onde o sujeito fica impossibilitado de se adaptar, impedindo a homeostase fisiológica saudável. A disfunção, portanto, precede a transformação morfológica do tecido. A energia estagnada transforma-se em DOR (Deadly Orgone – energia da morte). A transformação em DOR acontece quando a energia orgônica OR (Orgone) para de pulsar na célula ou tecido a sua mobilidade torna-se reduzida. Esta transformação OR de em DOR coincide com o processo de encouraçamento. A couraça “sequestra” a energia orgônica transformando-a em DOR. A produção de DOR altera o metabolismo fisiológico celular. Convém lembrar que a pulsação plasmática é antientrópica, isto significa que ela não é desorganizada e não acontece ao acaso. Do ponto de vista energético é importante recordar que a saúde é a expressão da carga pulsante no biossistema.

 

Lea Rocha Lima e Marcondes