Autobiografia em cinco versos

Quando li pela primeira vez este poema fiquei perplexa com a clareza de cada verso relatando o processo de autoconhecimento e consciência dos “buracos” que caímos a todo instante sem saber por quê. Há escolhas! O processo psicoterapêutico é fundamental nesta caminhada de descobertas. Você não caminhará sozinho, contará com recursos específicos para descobrir seus “buracos”, aprender a sair deles até poder escolher outras ruas para caminhar.   Podemos chegar no verso 5!

 

1. Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio…
Estou perdido… sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar a saída.

 

2. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.

3. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está ainda assim caio… é um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

4. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

5. Ando por outra rua.

 

Sogyal Rinponche