Dialética da vida

A vida é um paradoxo! Lida o tempo todo com os contrários: chegada e partida, encontro e desencontro, amor e desamor, angústia e paz, sofrimento e alegria, certeza e incerteza, confusão e centramento, vida e morte.

Quando menos esperamos temos surpresas que nos levam a pensar nos “acasos” de Deus para nós.  Estes acasos nos levam a deparar com a grande dor da existência humana: o encontro consigo mesmo. Encontro com a dor primordial, com o abandono, com a solidão existencial, com a profunda angústia de ser, apenas ser. Este é o paradoxo – encontrar o meu verdadeiro ser perdido no meio das couraças e prisões da vida! Como encontrar este caminho no meio de tanta turbulência? Deus nos aponta Sua luz, nos direciona o andar, mas não nos livra de sentir a dor do processo. Ele nos acompanha na caminhada, no consolo, dando colo nos momentos necessários. Mas nós precisamos andar no processo.

Estar em frente ao espelho nos faz olhar as coisas que não gostamos, que temos dificuldades, que negamos por tanto tempo. Estar em frente ao espelho nos faz perguntar: “espelho, espelho meu, quem realmente sou eu?” Esta é a questão nodal que nos traz profunda angústia: “O que fiz com a minha vida? Como posso retomá-la? Redirecioná-la?“

Sinto a angústia do sofrimento humano, daqueles que se deparam com a dialética da vida e não encontram respostas, que anseiam profundamente por uma saída, pela realização de um desejo. Meu peito aperta, se comprime com a dor, com a minha dor, com a dor do outro… elas se misturam!

Há saídas para tudo isto? Não sei…Esta é a dialética da vida!

 

Lea Rocha Lima e Marcondes

10/06/2003